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Perimenopausa: o que toda mulher (e médico) deveria saber

Segundo dados da OMS, até 2030 mais de 1 bilhão de mulheres em todo o mundo estarão em menopausa. De acordo com dados estatísticos levantados por diversos estudos, menos de 20% dessas mulheres recebem terapia de reposição hormonal.

Se isso acontece com mulheres menopausadas, que já estão com um quadro estabelecido de falência ovariana e há mais de 1 ano sem menstruar, o que será que ocorre com uma quantidade ainda maior — e não estimada — de mulheres que estão em uma fase de transição entre a fase fértil e a infértil?

Essa fase pode durar muitos anos, apresenta sintomas variados e é chamada de perimenopausa.

Insegurança, confusão, ansiedade, a sensação de que algo está mudando e, frequentemente, frustração pela falta de atenção e de capacidade resolutiva dos médicos fazem parte da experiência de muitas mulheres nesse período.

O que é perimenopausa?

A perimenopausa corresponde ao período de transição entre a fase reprodutiva e a menopausa.

De acordo com os trabalhos de Santoro et al. (2021) e Verrilli & Berga (2020), essa fase pode se iniciar anos antes da última menstruação, frequentemente entre os 40 e 50 anos, mas não raramente mais cedo.

Diferentemente da menopausa — que marca em definitivo o fim da fase reprodutiva e se caracteriza por baixos níveis de estradiol e progesterona — a perimenopausa é marcada por oscilações abruptas desses hormônios, sendo muitas vezes descrita como uma verdadeira montanha-russa hormonal.

Não é somente queda, é desorganização hormonal.

Por que a perimenopausa é tão sintomática?

Segundo Verrilli & Berga (2020), a perimenopausa é uma das fases mais sintomáticas da vida reprodutiva feminina, justamente por conta da instabilidade hormonal.

Sintomas mais comuns

  • alterações do humor, irritabilidade e ansiedade
  • distúrbios do sono
  • fadiga persistente
  • dificuldade de concentração e memória
  • redução da libido
  • ciclos menstruais irregulares ou intensos
  • ganho de gordura abdominal
  • fogachos, que podem surgir antes mesmo da menopausa

Muitas mulheres passam anos buscando respostas, frequentemente recebendo diagnósticos fragmentados ou explicações insatisfatórias.

“É assim mesmo.”
“Seus exames estão normais.”
“Você ainda menstrua.”

Por que a perimenopausa ainda é subdiagnosticada?

A perimenopausa segue sendo subdiagnosticada, inclusive por ginecologistas.

Isso ocorre porque:

  • não existe um exame laboratorial único e confiável
  • os ciclos menstruais ainda podem ocorrer
  • os sintomas tendem a aparecer e desaparecer

O diagnóstico, portanto, é fundamentalmente clínico, baseado na história menstrual, nos sintomas e no contexto da paciente — algo que exige tempo, escuta qualificada e compreensão da fisiologia da transição menopausal.

Fases da perimenopausa

Fase inicial

Na fase inicial da perimenopausa, os ciclos geralmente ainda são regulares, mas podem se tornar mais curtos, com fluxo mais intenso e dominância estrogênica, já que a progesterona é o primeiro hormônio a falhar.

Irritabilidade, cansaço e fogachos são sintomas frequentes nesse estágio.

Fase tardia

Na fase tardia, já ocorreram atrasos menstruais de pelo menos 60 dias. A função ovariana torna-se claudicante, ligando e desligando, o que frequentemente confunde tanto pacientes quanto médicos.

Como deve ser o manejo da perimenopausa

O gerenciamento da perimenopausa não é padronizado. O tratamento não se resume ao uso de hormônios, mas deve atuar para evitar, por meio de um conjunto de medidas farmacológicas e não farmacológicas, sofrimento desnecessário e prevenir desfechos metabólicos, emocionais e cardiovasculares futuros.

Por que reconhecer a perimenopausa é tão importante

A perimenopausa representa um período crítico, no qual muitas mulheres começam a perceber mudanças profundas em seu corpo e mente, sem compreender sua origem.

Reconhecer essa fase é:

  • validar sintomas
  • reduzir frustração
  • melhorar a adesão ao cuidado
  • permitir intervenções precoces e personalizadas

Para as mulheres, é um convite ao autoconhecimento e um chamado à ação.
Para os médicos, é um convite à escuta ativa, a um olhar além dos exames isolados e ao resgate da abordagem clínica.

Referências

Santoro N et al. The Menopause Transition: Signs, Symptoms, and Management Options. J Clin Endocrinol Metab. 2021.
Verrilli L, Berga SL. What Every Gynecologist Should Know About Perimenopause. Clin Obstet Gynecol. 2020.

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